segunda-feira, 13 de abril de 2015

É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito



                                   


Quando nós falamos a respeito de obesidade de “ser” ou não “ser”, de se aceitar ou não, da forma e da maneira que se está, é um assunto que dá pano pra manga, quem está acima do peso, vive nesse impasse.
Vivo há anos esse dilema, pairando em “ser” ou não “ser”, eis a porra da questão. Parto do ponto que é extremamente incomodo ser gordo, falo com a maior clareza porque infelizmente para quem é gordo é assim, as coisas melhoraram no quesito encontrar roupas, embora ainda é foda para achá-las, a maioria das roupas para gorda são bregas, e quando se fala em roupa íntima a criatividade dos estilistas ficam resignada ao incrivelmente sexy “begizinho”, e quando encontramos o preço é exorbitante, creio eu porque não há muita concorrência, afinal de contas não exitem tantas gordas no mundo não é mesmo?
Hoje eu consigo entender melhor porque pairo sobre esse dilema, me encontro em uma rua bifurcada que, eu desejo ir para um lado, e me dizem que por esse lado eu não posso ir. Obviamente quando você toma uma posição diferente da massa, você tem que estar preparada para as consequências, porque é remar contra a maré.
É a busca do seu próprio caminho, da sua própria história, obviamente a sua verdade não é, e nunca será verdade para a maioria, mas é a sua viva nela, permaneça nela.
Vivemos na sociedade chamada ridiculamente “Politicamente Correta”,ou “Inclusiva”, onde a mídia hora fala que devemos aceitar as pessoas como elas são, existem agora as modelos plus size que se diga de passagem não ganham 10%, das chamadas modelos “normais”, hora ficam ridicularizando a atriz ou cantora que engordou um pouco, passou de um ser cadavérico para um ser humano normal.
Eu sou gorda me olho no espelho e me reconheço, não me sinto em um corpo que não é o meu, sou gorda como sou tantas outras coisas, que não sou caracterizada por elas, o ser gorda, sinto que as vezes passa por cima de tudo que eu sou, com uma clareza de espírito falo que se eu não sentisse uma resistência social nunca passaria pela minha cabeça emagrecer jamais!!! Essa dubiedade não existiria em minha vida.
Eu estaria sendo extremamente hipócrita se falasse que não me afeta o que pensam ao meu respeito, fazia isso muito, hoje tenho a lisura de não fazer mais, mascarar os sentimentos nunca é uma boa solução, aprendi que ser sincera comigo é imprescindível, obviamente eu me importo com o que as pessoas pensam ao meu respeito, vivo em uma sociedade, e tenho anseios de me relacionar, e o que dizem ao meu respeito me constrange, me estagna, não adiante negar o inegável.
É maçante ter que escutar diversas vezes pessoas a me dizerem porque você não emagrece, trazendo com elas várias dietas mirabolantes, dieta do abacaxi, dieta da sopa, dieta do suco, dieta do caralho a quatro, frases maldosas a respeito de gorda, estando eu presente no recinto, tipo essa gorda relaxada, não sei porque não emagrece,você viu como aquela garota está monstra? Como ela engordou!!! esse nível de respeito e de carinho realmente é confortante.
Saber que eu não tenho direito de me interessar por quem é diferente de mim, porque já está fundido em minha mente, “eles jamais se interessariam por uma guria gorda”, eu não posso me expor a esse constrangimento,
Vivemos sim em uma sociedade farisaica, onde é visto sim com olhares de preconceito uma negra namorar com um branco, rico com pobre, um magro ou malhado namorar com uma gorda, nesse caso se for o malhado a aversão social é bem maior.
 E as frases encantadoras como “Gorda é igual mortadela todo mundo come, mas ninguém assume que come”,    ou " O que essa negrinha tá fazendo, com esse branco? Ela é sua escrava?  Um branco e uma negosa, me vende ela?"Frases essas tirada recentemente, de um facebook de uma garota negra que namorava com um garoto branco, isso no século XXI, 127 anos ápos a abolição da escravatura. Isso sim é uma sociedade inclusiva não?
Não entendo a necessidade da sociedade de padronizar as coisas, isso é algo tão prosaico.
A sociedade me mostrou vários “se” se eu optasse por não me adaptar, que me tornaram um ser meio que introspectivo, vivo ponderando minhas ações, porque sei que podem resultar em achismos, não nasci com essa percepção, elas nasceram e floresceram em mim com o que eu vi e vivi até hoje, ninguém nasce tendo a noção de grandeza ou inferioridade estabelecida pela sociedade, onde o rico é melhor que o pobre, o branco é melhor que o negro, o heterossexual é melhor que o homossexual, o magro é melhor que o gordo, somos classificados e separados pelo que fazemos não pelo que somos, se você tem crenças ou pensamentos que difere dos meus, não podemos conviver, entendo que o preconceito é mais sutil atualmente, o que não o torna menos degradante para quem o sente na pele, o preconceito ainda se prolifera.
O mundo me repeli diariamente, e ainda tem pessoas que me dizem, ah fulana você tem que melhorar sua autoestima, porra!!! eu sei o que eu sou, o mundo é que não sabe, o “se não” na minha vida não é o eu ser gorda ou ter uma autoestima de merda, o “se não” na minha vida é as pessoas não me enxergarem além das minhas camadas adiposas, ah e detalhe o melhorar a sua autoestima não é você se aceitar do jeito que você é não... é o você se adequar, porque essa frase primorosa vem acompanhada das dietas mirabolantes.
Pode não parecer mas todo gordo tem um grau elevadíssimo de tolerância e educação mesmo com pessoas que se quer merecem o nosso respeito, milhares de vezes me disseram “até que você não é feia, só que você é gorda”, ou “como você se deixou chegar nesse ponto” em uma fração de segundo passa pela minha cabeça, falar “ até que você tem um corpinho ajeitadinho, porque você não arranca a sua cabeça”!? Ou Ah vai se fuder...Obviamente eu não respondo assim, alias sequer respondo, dou um sorriso amarelo para a pessoa e me esquivo dela, calma por fora transtornada por dentro.
Ao olharmos para o outro devemos agilmente procurarmos um espelho.
No relacionamento o complexo da gorda piora bem, se você estiver afim de uma, que hoje sinceramente nem sei se é mais possível, saiba que dificilmente haverá paquera meu filho, porque raramente ela vai conseguir levantar os olhos e olhar para sua direção, ou de qualquer outro menino, nesse caso tem que ser explícito, porque se não for, ela jamais perceberá suas intenções, obviamente para toda regra existem exceções, e para essas eu tiro o meu chapéu são “Fodonas” demais, a grande fatia dessa laranja não olham mesmo, há um certo receio em nós, e um simples olhar pode tomar outras proporções que muitas vezes não estamos dispostas a enfrentar, sabemos que existem meninos que se “acham”, e são cruéis, e um olhar espontâneo e natural, será para eles uma insinuação de algo mais, afinal todas as gordas são desesperadas, se para o homem mulher é, quanto mais as gordas, nesse caso estão tacando pedra em avião, infelizmente já ouvi várias gracinhas hostis a esse respeito, é mais ou menos como naquele ditado popular tão sábio onde diz assim: “ Quem tem cú tem medo”. Por isso nos policiamos sempre, e as vezes podemos parecer ríspida, eu particularmente consigo agir mais tranquilamente com alguns garotos que eu vejo um certo grau elevado de bondade e de noção, que têm a consciência que não é porque eu estou falando com eles eu esteja me insinuando, ou oferecendo o produto, mas nem sempre eu ajo da maneira que eu gostaria, ou da maneira que eu realmente sou. Muitas vezes nos fechamos para o mundo porque o mundo se fechou para nós.
Eu sei que uma pequena parcela das pessoas que me falam para emagrecer, podem querer o meu bem, e essas eu tento tratar com o maior carinho, na medida da minha indignação, talvez seria mais fácil eu me adequar, as vezes penso isso, mas acho tão absurdo eu ter que emagrecer, para ser aceita, eu teria que mudar quem e o que eu sou, estaria me mutilando, para ser o que quisessem que eu fosse, não me deixaria mais feliz estar magra, ficaria pior por ser fraca o bastante e criar uma caricatura de mim mesma, já percorri essas vielas e não foi nada agradável, não encontrei “paz”. Viver em uma realidade que não é a sua, com uma armadura cheia de espinhos enfincados na sua carne, é algo insustentável.
O amor é inclusivo, o amor respeita, e não estou me referindo ao amor de homem para mulher ou vice-versa, falo do amor de um modo geral, todos os tipos de amores necessários para a evolução das pessoas e consequentemente da nossa sociedade, se eu pedisse andarias uma milha comigo? O nosso Rei não nos disse para amarmos as pessoas como a nós mesmos? Não está naquele livro tão antigo e sábio, que ainda que falássemos a língua dos homens e falássemos a língua dos anjos, e conhecêssemos todos os mistérios da ciência, e ainda que transportássemos os montes, sem o amor nada seriamos, estamos conformados com o “nada”? O amor é benigno, não se porta Inconvenientemente, não busca os seu próprios interesses, agora o vemos em um espelho, de maneira obscura; então veremos um dia face a face. O amor baseia-se apenas no amor, porque esquecemos como é amar? Porque nos preocupamos com coisas tão triviais, vivemos correndo, mas correndo para onde? Todos os dias eu acordo e me pergunto o que nos aconteceu?
Os relacionamentos não dão certo, porque buscamos apenas o nosso interesse de forma egoísta, e esquecemos que o relacionamento visa o bem estar mútuo. Não conhecemos a profundidade da alma pessoas, porque estamos presos em sua superfície.
Eu não emagreço porque estou bem com o meu reflexo no espelho, não porque eu me acho agradável aos olhos, mas porque eu me reconheço, aquela que eu vejo no reflexo do espelho realmente sou eu!!! Um ser imperfeitamente perfeito, é fato que estaria melhor, se eu me sentisse aceita, mas eu continuo firme nessa batida eu sou o que sou, a esperança deve ser uma constante em nossas vidas, as vezes meus joelhos estremecem, e eu acho que não irei suportar a pressão, as vezes tudo se torna tão exaustivo, ventos estão a me envergar, tais ventos me servem para momentos de autorreflexão, e quando esses ventos cessam, eu saio dessa tormenta mental, como naquela música escrita pelo Arnaldo Antunes “ Eu não vou me adaptar, eu não vou...” É difícil ser diferente, porém as coisas tornam-se bem mais fatigante quando tentamos tornar-se outra pessoa. A perfeição está em você ser você. É melhor "ser" do que "ter", não que o fato "ter" impeça você "ser", mas quando você percebe que o "ter" faz com que você deixe de "ser" fique com o ser, pois o ter não o fará feliz.
As pessoas se tornaram tão fúteis e não se aperceberam, estão cada dia mais alienadas.
Espero um dia acordar em um mundo onde não sejamos classificados e assim separados.

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